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Divagações

Divagações

20
Jan21

Será que conseguimos mudar no espaço de um Ano

Há um ano escrevi uma carta para mim e esperava, ansiosamente, por voltar a lê-la, pois apesar de não me lembrar do que tinha escrito, tinha gravado na memoria que a escrevi com lagrimas nos olhos.

Não sei explicar o misto de sentimentos que com ela vieram, pois sei que o meu “Eu” de agora é o mesmo que o anterior e aquilo que sentia continua cá, apenas não sei se com a mesma intensidade.

Certamente, a realidade do meu passado e do meu presente encontram-se. A bolha deprimente é a mesma, que insisto em viver, ainda me encontro coberta de lençóis de medos e inseguranças e com cobertores de desmotivação e falta de vontade em geral.

Deito a cabeça numa almofado que não me serve, que não é minha, porque eu não sou isto, sou tanto mais que não me deixo ser, porque não ganho coragem para mandar à merda tudo aquilo que me impede de agir, que me acorrenta ao vazio de não fazer nada, de não puxar por mim. Culpo-me por continuar num estado de dormência constante, na vida.

Sinto-me tapada, completamente, por um edredom de tentativas por tentar, de objetivos que não luto por alcançar, um edredom que teimo em não tirar, que é tão pequeno e mesmo assim tapa tanto de mim, que me faz tão pequena, quando na realidade devia mostrar tudo de grande que há em mim, aceitá-lo e evidenciá-lo, de forma orgulhosa.

Tenho tanto medo de que me vejam, que me observem apenas pelo aquilo que é visível, pelo formato do corpo que desprezo, que me vejam como sou e que depois disso me repudiem e se afastem, que não me permito libertar-me desse peso e medo constante de rejeição, porque não me permito acreditar que seja possível alguém ver beleza em mim, quando eu própria não vejo nada.

Quero acreditar que num futuro próximo, o meu “eu” que escreveu a carta dia 8 de janeiro de 2020, o meu “eu” que a leu hoje, passado um ano, e que está a escrever este texto, e todos os meus futuros “eu” possamos ser felizes, como sempre fomos, exatamente, com o mesmo corpo e as mesma formas, que me permita amar-me, pois já mais deixarei que alguém me ame, quando eu própria não o faço.

Queria conseguir mudar a forma como tenho vivido, este estado de sonambulismo que caracteriza todos os meus dias formatos e sem vida, jurar-me que vou acordar para vida.

Poderei voltar a ser a pessoa que, em tempos, concretizou tudo aquilo que desejou e que neste momento se desleixo de tudo, que tem tudo o que quis e ainda quer e, mesmo assim, vive de forma desligada e automática?

Tenho tanta coisa boa na vida, tantas pessoas que fazem furos e pequenas entradas de luz e oxigénio na minha bolha escura e sufocante. Pessoas que embora não saibam metade da tristeza que passo, estão lá a dar-me força pelo simples facto de estarem, de serem, de me amarem… quando não merecia o amor deles, quando os desiludo de tantas formas que eles próprios não sabem, mas que acima de tudo me desiludo por os desiludir.

Conseguirei prometer-me agora a coisa mais importante de todas? Que irei lutar por mim, por um futuro em que queira viver nele, feliz...

“Eu” do futuro, espero que já o “sejas”, um pouco melhor,

Moura

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