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Divagações

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11
Jun20

Opinião de quem ainda tão pouco sabe

                A forma como um chefe interage com os seus funcionários e aquilo que as ações e palavras dele significam e desencadeiam é algo muito importante e com uma enorme dimensão.

                Gostava de abordar esta questão de forma pessoal, baseada na minha pouca experiência (aluna de 2ºano, da licenciatura de gestão) e fazendo uma pequena alusão à posição que um chefe ocupa, na vida da empresa e das pessoas que dela fazem parte.

                A primeira vez que tive uma conversa com um professor universitário fez-me refletir sobre muita coisa. Primeiro, esse professor pediu-nos para nos apresentarmos e eu pensei isto estará mesmo a acontecer, quando passei 12 anos da minha vida a ouvir que nenhum professor, na universidade, iria sequer saber o meu nome, depois, a situação foi mais além, porque para lá de ele querer, realmente, reforço realmente, saber o nosso nome ele quis saber mais sobre nós, gostos e até mesmo características que nos definiam, na realidade ele estava muito mais à frente do que eu imaginava ou até mesmo do que os meus antigos professores supunham, a verdade é que ele em apenas uns minutos conseguiu descodificar e alterar todas as nossas ideias já pré estabelecidas e fazer-nos entender que a universidade era a nossa próxima casa, uma casa em que iriamos ser bem acolhidos. E isso é algo importante, no mundo empresarial, devemos sentir a empresa, também, como nossa, e se todos os funcionários se sentirem desse jeito, a probabilidade de a empresa prosperar, todos os dias, é enorme.

                Nessa mesma, primeira, aula fez-nos várias questões, das quais não me lembro, exatamente, de nenhuma, mas recordo-me de duas coisas, a primeira é que estas eram pertinentes e a segunda que eu tinha começado ali a minha jornada, uma vez que a uma dessas perguntas em respondi que “EU achava ou supunha alguma coisa”, e na minha opinião eu tinha respondido de forma ótima, a verdade é que o que eu ouvi logo a seguir do professor, à minha frente, com umas pulseiras interessantes e vestido de preto, cor que eu, genuinamente, amo ( um pequeno aparte como é possível alguém não adorar preto, primeiro encaixa em todos os ambientes, e conseguem tanto ser elegante como, extremamente, indelicado ou até mesmo obscuro), que eu ainda não era ninguém para usar a palavra “eu”, que, na universidade, eu tinha de usar referências, a livros, autores e a pessoas especializadas na área, que a minha opinião para ele, no momento, ainda não lhe interessava porque não tinha, ainda, nenhum background. E aquelas palavras fizeram-me questionar, mas acima de tudo querer evoluir, porque gostava que num futuro as minhas palavras tivessem realmente valor e que a minha opinião, fosse algo solido, seja o que quer que isso possa significar. E a verdade é que na nossa vida tanto a nível pessoal, como profissional devemos ter pessoas que nos motivem a aprender, a querer ser melhores, a superar-nos e a desafiar-nos.

                Passaram-se alguns meses e pouco mais vi aquele docente, devo ter trocado um ou outro cumprimento, aqui ou ali, até que pela primeira vez senti, que um professor, alguém que está, hierarquicamente, acima de mim, a todos os níveis, realmente, me apoiou e ajudou, num momento de total desespero, em que se eu não me resta-se ainda um pouco de orgulho eu teria chorado. O professor veio ter comigo, elogiando-me e dizendo que estava ali e que a qualquer momento eu podia recorrer à sua ajuda, porque ele estaria disponível a apoiar-me caso precisasse. A verdade é que ele não sabia o que se estava a passar, nem se a culpa da minha exasperação era minha, da situação em si ou de outra pessoa, mas a verdade é que nada disso o impediu de me fazer sentir segura e protegida e que tinha o seu apoio, incondicionalmente.  Depois daquele momento de motivação e alento eu e o meu colega recuperamos força, improvisamos, demos o nosso melhor e ultrapassamos, corajosamente, os dois, um dos possíveis maiores obstáculos que tivemos no nosso, então, percurso académico. Uns meses mais tarde comentou numa aula, que teve um professor que foi a sua maior referência a nível escolar e que gostava de poder um dia sentir que teve o mesmo efeito na vida de algum aluno, como aquele que o tal professor teve nele, sem se aperceber que já o é, já o foi e já o tem para tantos alunos, pela sua profissionalidade, disponibilidade e atenciosidade . E é isto, que acredito, que um “chefe” deve representar, deve ser um exemplo, uma referência e um pilar sólido para os seus funcionários e para a empresa. Curiosamente, este senhor é o meu diretor de curso e confesso estar um pouco reciosa quanto à finalização, ou não, da cadeira dele.

 

Talvez precise de lhe mostrar este texto quando for a exame de recurso,

Moura

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