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Divagações

Divagações

29
Mai20

Cada um e os seus telhados de vidro

Há muito tempo que aprendi a lidar com a mágoa que sinto quando o assunto é beleza.

Porque é que é tao importante encaixar nos padrões de beleza da sociedade. Porque é que, inevitavelmente, ligo tanto ao que outros pensam, quando na realidade nem quero saber da opinião deles. Serei fraca porque todos os dias vou abaixo por não corresponder ao que os outros chamam beleza?  ou serei forte por continuar a mostrar aos outros que sou feliz comigo mesma e que não estou nem aí, quando na realidade estou completamente “aí”?

Às vezes, sinto-me parva por me deixar magoar com palavras cruéis de pessoas fúteis e superficiais, por ficar triste ao saber que vou ser sempre a amiga da rapariga que o rapaz gosta, porque ela é que é gira, ela é que é magra e ela é que é podre de gira. Não é o facto de querer que os rapazes me queiram, é o facto de sentir que alguém olha para ti, que alguém vê beleza em ti, que alguém te deseja. Todos precisamos que alimentem o nosso ego, é essencial para a nossa autoestima.

Ninguém compreende a dor dos outros e é algo normal, não estamos programados para sentir ou vivenciar o que os outros sentem, cada um tem os seus demónios, e com o tempo tenho aceitado isso melhor, só Deus sabe o quanto me caía mal quando raparigas elegantes e lindas de morrer falavam mal delas próprias e se intitulavam de feias, gordas ou muito magras, na realidade pode ser o que elas sentem, e não é o facto de nos não o vermos que faz com  que aquilo que elas sentem/dizem não seja real e verdadeiro para elas.

Mas são essas mesmas amigas, que tem os seus medos e receios, que apesar de nunca o dizerem a ti, te magoam sem saberem que o fazem, quando comentam outras raparigas, quando estas “estão mais gordas” ou se não gostarem de uma rapariga dizem de boca cheia “olha aquela gorda”, de forma tão inconsciente e mecânica que nem se apercebem das palavras cheias de maldade que estão a cuspir contra outro ser humano com as suas fragilidades. Não notando que estão a fazê-lo à tua frente e que te magoa mesmo que aquelas palavras, em forma de faca,  não estejam direcionadas a ti, apesar de romperem com cada pedaço de autoestima que te vai sobrando, porque te revês na outra rapariga, numa outra situação diferente és tu aquela rapariga, a diferença será que os comentários desagradáveis serão proferidas da boca de outras pessoas.

Não é fácil ser uma adolescente, muito menos crescer como mulher, quando absorves e empurras para dentro de ti tanta insegurança, tanta tristeza e tanto medo de que as pessoas te vejam como és, e isso afeta todas as decisões e ações da tua vida, as inseguranças toldam-nos e limitam-nos, e ninguém merece viver dessa forma, toda à gente devia ser livre do peso das merdas que a sociedade nos impinge.

Chega a ser engraçado ouvir que somos todos bonitos a nossa maneira, que a beleza é uma ilusão porque somos todos perfeitos, que somos todos mais que um padrão e blá blá blá, já que fazem parte de uma sociedade nojenta e preconceituosa não sejam, pelo menos, hipócritas.

Tudo se resume a uma questão… Como é que é suposto ser uma mulher forte quando se cresce cheia de inseguranças. E como é que se destroem estas inseguranças? Junta-se mais telhas de vidro ou rebenta-se com todas elas?  Como se constrói amor próprio, afinal de contas.                                                                                 

  Um obrigada à sociedade tóxica em que vivo,

 Moura

27
Mai20

Olá felicidade, acho que ainda não fomos apresentadas

Será possível afirmar que não sou feliz, mas, também, não sou infeliz.

É egoísta da minha parte achar que não tenho motivos para ser feliz, mesmo que a vida nunca tenha sido, propriamente, má para mim, porque uma coisa é certa, nunca vivi, felizmente, nenhum acontecimento traumático ou doloroso.

Sinto que tenho tudo à minha volta para o ser, mas que, no entanto, existe uma barreira invisível que não me deixa alcançar a felicidade. Porque mesmo quando consigo tudo aquilo que “achava” que queria não me sinto feliz ou até mesmo realizada.

De onde vem a felicidade? O que é que torna a vida mais simples?

O mais engraçado é que qualquer pessoa que me conhece me descreveria como alguém que vende alegria, alguém que é a felicidade em pessoa.

Mentir é mais fácil.              

                                                                                         Vou ali ver se a felicidade está em saldos,

Moura

                                                                              

22
Mai20

“não és tu, sou eu”

Somos sempre os vilões da história de alguém, e isso não é diferente no que toca ao fim das relações.

O arrependimento que sentimos por termos sido estupidas ao ponto de pensar que aquele amigo até podia ser mais qualquer coisa, porque ele até gosta de ti e tal, e pensamos porque não?

Inevitavelmente, depois de um mês, percebemos que afinal não gostamos tanto dele como achamos e que, na verdade, o que nos gostamos é do facto de ele gostar de nós ( e o quanto isso eleva o nosso ego) e o quão egoísta isso é, mas todos já o fizemos, em qualquer altura da nossa vida já pusemos a nossa carência por carinho e atenção, à frente dos sentimentos dos outros.

Depois vem o peso na consciência, porque apesar de gostarmos de passar a noite com ele, sabemos que estamos a iludi-lo com as poucas migalhas de amor que lhe estamos dispostas a oferecer.

O que fazer? Sabemos que ele gosta de nós, mas que para nos não está a resultar, nem nunca irá resultar e porquê? Porque não queremos. E que apesar de essa pessoa merecer o mundo, não estamos dispostos a dar-lho. E não há nada que possamos fazer quando na nossa cabeça já há a possibilidade de terminar tudo, porque quando já o pensamos, já está tudo acabado.

E isso faz de nós um vilão? Faz de nós más pessoas? A verdade é que a culpa não é nossa e o nosso comportamento não está ligado ao nosso valor pessoal, não é por partir um coração que sou uma filha da puta insensível.

Por isso, quando lhe dizemos que não está a resultar, apesar de não termos culpa de não sentirmos o mesmo, não nos podemos esquecer de dizer que gostávamos muito dele e que não o queríamos magoar, e sem esquecer de terminar com um “não és tu, sou eu”, porque no final do dia, não queremos ser a filha da mãe insensível que lhe partiu o coração, mas a verdade é que há sempre um mau da fita em todas as histórias e na nossa não será diferente.

Não és a vilã por teres acabado, foste talvez a mais corajosa, porque ser sincera com alguém não é fácil, quando sabemos o dano que a realidade vai causar. E caso sintas culpa, lembra-te de AMAR-ME É PERDOAR-ME.

E segue em frente, não oiças ou fiques com medo quando ele disser que nos vamos arrepender e que ele vai estar lá à nossa espera porque nos “ama”, pois, na realidade, vais vê-lo agarrado a outra na semana seguinte.

 

Dedicado a quem não merece a culpa que me fez sentir,

Moura

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